quarta-feira, 7 de março de 2012

Projeto para o Sempre

Quando o suspiro for necessário
E a alma tiver pouco espaço;
Quando os olhos se fecharem
E a visão perder os pontos;
Quando os anos teimarem em dançar
E o Carnaval não abraçar o Século;
Quando as arestas desistirem
E as curvas forem os caminhos;
Quando os livros mofarem
E as mentes atrofiarem

Eu vou encontrá-los na encruzilhada
E recriaremos os afetos destruídos
Em tão pouco tempo
Que nos sobrará uma, ou quem sabe duas eternidades

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sexta-feira, 2 de março de 2012

Ato Poético ou 'O Lirismo Libidinoso'

Meu quadril vibra entre os seus quadris
Vou e venho,
Descarado; desbocado; desatinado
Num lirismo libidinoso

Uma estrela suspira em algum lugar deste imenso Universo
Enquanto nossas peles realizam o melhor ato do tato
Sim, o melhor
Pois, se há coisa melhor que o gozo,
Ainda não descobrimos

Eu até gostaria de fazer um daqueles poemas inesquecíveis
Na Forma e no Estilo
Mas, enfim compreendi que estar com os meus quadris entre os seus quadris é um poema insuperável

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A Beleza do que é finito

Meus neurônios lutando contra as ideologias
Devorando utopias amargas
Dedicando-se em ultrapassar filosofias moribundas

Minha alma gamada em meu corpo
E vice e versa
Transando idéias e sensações
Parindo razões e intuições
Vivendo juntos
Morrendo juntos

Meu ‘eu’:
Um ‘outro’ para os outros
E o mesmo para mim mesmo

Em meu coração um Carnaval pessoal
Em minhas mãos um Século rescém-nascido
Em meus ombros um Panteão poético
Em meus ouvidos uma Sinfonia universal
Em minha genitália um Gozo apocalíptico

Eu,
Você,
E todos os outros
Somos breves versos na Poesia da Espécie.

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Metapsicanálise

A patologia de Freud era inventar patologias.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Considerações

Nem me passa pela cabeça
Pegar na mão desta geração
E ajudá-la a atravessar a rua de suas escolhas,
Como se fossem crianças
Despreocupadas com o atropelamento de suas consciências

Nem me passa pela cabeça
Cravar a bandeira de minha subjetividade
No coração de uma era
Como se o tempo pudesse ser devorado por um indivíduo

Nem me passa pela cabeça
Escrever o que nunca foi escrito,
Nos livros sagrados ou malditos
Como se um dogma fosse capaz de resistir ao caos

Nem me passa pela cabeça
Lançar as bombas atômicas para a extinção da raça
Como se a dor pudesse ser menor na obliteração

Nem me passa pela cabeça
Ser um anjo no sétimo céu
Ou um demônio no quinto dos infernos
Como se ficções pudessem equilibrar o grande peso da realidade

Nem me passa pela cabeça
Terminar este poema com versos perfeitos,
No estilo e na forma
Como se o lirismo fosse mais importante que a sujeira embaixo de nossas unhas

Nem me passa pela cabeça
Dizer o que deve passar pela sua cabeça,
E talvez essa seja a única coisa que considero passar pela minha cabeça.

D. Q. M.